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...em preto e branco. VivianGuilherme 23 anos rockeira ...alguém fazer algo por mim envelheci... |
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[Quinta-feira, Outubro 25, 2007] Vida da Vivian + Vida da Marcela + um pouco de ficção =
BORBOLETAEm frente ao espelho encarava seu reflexo minuciosamente. O tom moreno claro de sua pele contrastava com o preto dos cabelos lisos e curtos. Seus olhos castanhos escuros estavam, agora, com a maquiagem preta pesada, ressaltados e mais profundos do que nunca. O brilho nos lábios destacava a boca que pedia beijos verdadeiros, sinceros, e não beijos passageiros que apenas despertam prazer momentâneo. O perfume, então, inebriava o ambiente e se destacava dentre as outras dezenas ali presentes. Era intenso, sensual, inesquecível. Remexeu no cabelo, ajeitando a franja que caia para o lado. Encarou seu reflexo novamente, só que agora, via seu reflexo passado. Aquela garota que vivia sempre de cabelo preso, olhar cabisbaixo, roupas largas. Vivia escondida entre as amigas, ou então, em qualquer lugar esquecido, afinal, não queria ser notada, não queria ser centro de nada, muito menos da zoação. Sentia-se feia. Na realidade não era feia, apenas não se preocupava com aparências. Vivia para cima e para baixo com seu tênis velho, surrado, que mais pareciam masculinos. Não dispensava seu moletom. É, aquele de punhos na canela, de cores frias e apagadas, até mesmo desbotado. Qual era o problema? Não fazia mal a ninguém, era amiga, sonhadora, e vivia de ilusões, fantasias... Amores? Claro que tinha! Platônicos, eu sei, mas ela sabia amar. Sabia sonhar. Obviamente gostava do garoto que mais se destacava em sua classe e este, de uma hora para outra, dera-lhe uma brecha, que levara a garota a sua perdição. O tão sonhado desejo de ser notada por ele havia se realizado. Isso fora o ponto de partida para a errada decisão, ou seja, a declaração. Infeliz dia. O dia da morte de sua auto-estima. O dia do nascimento do desejo obscuro de morte. Sentiu medo, raiva, vontade de chorar, mas isso seria mais do que humilhação. Como sempre, abaixou o olhar, engoliu a seco os espinhos cravados em seu coração, fez - se de surda e enrijeceu seu corpo para que não demonstrasse seu tremor desesperado. Se antes já se escondia, agora se omitia. Deixou de existir. Era uma sombra a vagar nos corredores, um vulto na carteira, um corpo sem vida a caminhar em meio à multidão. A partir daquele dia, aprendera a engolir a seco tudo que magoava, machucava, respirava em golfadas, mas não deixava escorrer uma lágrima sequer, um gemido sequer fugir de seus lábios. Um dia, quando estava curtindo sua solidão em um canto qualquer esquecido, é claro, ele veio e vomitou ofensas que, agora, eram como um arame farpado a sufocar seu coração. Olhou-o fixamente, sem piscar, com olhos vermelhos marejantes, entreabriu a boca e não disse nada. Apenas engoliu tudo, novamente a seco. Enquanto respirava com dificuldade, sua cabeça latejava, enquanto as palavras se repetiam e fixavam lá no fundo da mente e alma: Você é ridícula! Horrorosa! Ninguém irá gostar de você! Idiota! Garota patética! NUNCA ninguém irá gostar de você! Mais uma olhada no espelho. Ajeitou o corpete preto, deixando o colo a mostra. No pescoço um crucifixo reluzia. Apegara-se tanto a ele. Trazia-lhe sorte? Confiança talvez. Agarrou-o com certa força, mas não deixando de ser com delicadeza. Apoiou suas mãos no balcão do banheiro para reparar seu rosto. Suas unhas também reluziam. Era de um vermelho sangue escuro. Ajeitou sua saia longa, porém com uma fenda insinuante até a coxa, deixando a mostra seus coturnos. Estava pronta. Estava cheia de si. Mais uma olhada no espelho, agora com um olhar hipnotizador e um sorriso convidativo. Virou-se e saiu porta a fora, direto para a escuridão, manchada de luzes eufóricas. O tempo passava, torturava, e cada vez mais ela queria deixar de existir. Tudo era frio, negro, apático, e úmido. Isolava-se, arrastava-se e sua voz parecia um lamento, frio e quase oculto. Certo dia isolou-se em uma nova dimensão. A dimensão virtual, ou seja, ainda mais impessoal, mais fria, mais fantasiosa. Lá, poderia ser tudo o que queria. Poderia por cor, calor, alegria a sua rotina. Fantasia....Ilusão.... Novamente é perseguida por seu pesadelo. Mais uma vez é humilhada. Mais uma vez afundada na negritude da crueldade de um infeliz, mal - amado. Mal amado? Ela o amou, o venerou... que ganhou em troca? Desprezo. Mágoa, muita mágoa. A escuridão.... Em meio as luzes frenéticas, seu olhar hipnotizava. Em meio as fortes batidas da musica, o seu coração batia compassadamente, calmo, sereno. Chegou ao balcão e pediu algo para beber. Olhou a sua volta: mil olhares a notavam, a queriam, a desejavam. Deu uma volta e foi para a pista. Lá no meio, sozinha, dançava, com graça e sensualidade em cada um de seus movimentos. Soltava-se. Sentia-se a dona daquele lugar, mas sem esbanjar soberania no olhar. Notavam-na, e muito. Como era linda. Como era radiante, apesar dos trajes pretos. Quanta luz... Encasulara-se. Por muito tempo. Numa bela manha, em seu mundinho virtual, na mesmice apática do dia - a dia, conheceu um amigo. Este dava-lhe o valor necessário, criticava-lhe até, mas era para seu bem. Naquela manha, recebera o tapa na cara para acordar pro mundo. Disse-lhe que não era pra ficar acuada sempre, que ela tinha o que mostrar, que daquele modo seria sempre uma FRACASSADA. Se continuasse assim, melhor seria morrer. Palavras duras, mas fortalecedoras. Morrer? Fracasso por fracasso o melhor seria tentar... já tinha dado com a cara no chão tantas vezes. Uma vez mais, uma a menos, tanto faria. Talvez a dor que já era uma úlcera, sangrava um pouco de vingança. Dirigiu-se ao espelho. Olhou seu reflexo minuciosamente, cada detalhe, cada pedacinho que poderia melhorar. No fundo de seu olhar havia um brilho especial, não de ódio, mas de esperança. Soltou os cabelo, como um ato de liberdade. Pintou levemente o rosto, colocou roupas mais justas, coloridas, perfumadas. Brincos! Que mudança! Algumas semanas, após a mudança, encontrara o amigo virtual. Quanta coragem! Nunca, em sua mente desanimada, teria pensado em dar tão grande passo. Sentiu-se a vontade. Tudo estava muito normal. Ele, o amigo, era normal, verdadeiro, real! Após aquele encontro vieram mais outros, selando a amizade, sem fim... Fim? É... Uma tarde, em um dos encontros, sem saber o porquê, ele despedira-se dela, inesperadamente, sem explicações, mas sem esquecer de dizer algumas palavras comparando - a com uma borboleta. Antes de despedir-se de fato, entregou-lhe um crucifixo, muito bonito por sinal. Fechou-o na mão dela, pediu para nunca se esquecer das borboletas e disse adeus. Ela compreendera tudo, o presente, as razões, as lágrimas e as borboletas... Metamorfose.... Alguns minutos se passaram. Com sede voltou ao balcão. Pedira mais uma coisa para beber. Ao estender a mão para entregar a comanda, uma mão tocou a dela, oferecendo a sua como cortesia. Ela olhou para aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso simpático. Agora, os olhares dialogaram, e tudo foi muito claro. Abraçaram-se fortemente. Saudades, alegria, tudo se misturando naquele momento. Conversaram, dançaram, riram. Ele, deslumbrado com a mudança, com a beleza, disse-lhe que não imaginava que ela seria capaz de tanta mudança e que sentia orgulho dela. Beijou-a, prometendo nunca mais dizer adeus. Ela, com os olhos a sorrirem, abraçou-o ternamente dizendo-lhe : Nunca esqueci das borboletas! Por Marcela Ap. França por Vivian Guilherme * 4:02 PM "Oh sweet Christabel, Share with me your poem..." - Comente: [Sexta-feira, Outubro 05, 2007] ow..
escavando conversas antigas de msn
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