Dominatrix e sonhos de infância
Essa semana acabei por realizar um de meus grandes sonhos de " infância", não por ser de infância mesmo, criancinha e tal, mas
por ser um daqueles sonhos clássicos, quando você quer muito alog, e enche o saco da sua mãe o tempo todo com isso. E o tempo
...acaba deixando isso de lado um pouco.Foi o que aconteceu.
Aproximadamente, em Novembro ou Outubro de 2000, um grande amigo me gravou uma fitinha k7, com sons da banda dele, e do
lado B uns sons de uma banda, estranha para mim, mas que ele teimava em me dizer que eu iria amar e que aquela banda sim era
digna de ser considerada banda feminina, não Hole (minha banda favorita na época).
Ao virar o lado da fita, minha cara de espanto foi enfática. Gritinhus femininos, e uma velocidade alucinógena nos acordes. Pelo
pouco que conseguia entender das letras eu me identificava cada vez mais, me lembro sempre do trecho "I used to say that I was
dumb, I couldn't do the things He could.". E isso vinha tão de encontro com a minha realidade daquela época.. Quando meu pai
reclama, no mínimo, 10 vezes por dia que eu não ajudava minha mãe a lavar a louça, ou que eu não fazia faxina, tudo isso enquanto
minha mãe se matava de trabalhar, e os homens da casa permaneciam confortavelmente sentados na sala assistindo futebol. Minha
raiva contra todo esse sistema machista estava me atordoando demais! O tempo que gostaria de estar estudando para as provas, ou
escrevendo meu livro, ou ouvindo meus cdzinhus do silverchair eu tinha que ficar fazendo o bolo de chocolate favorito do meu irmão,
enquanto ele passava o dia todo jogando superness. E eu não achava isso justo!
Fui ao santo Cade (lembra disso?), é ...naquela época eu não sabia que existia Google (e acho até que eles ainda não eram uma
super potência), mas fui pesquisar sobre a tal banda, DOMINATRIX E achando as letras das músicas, me identificando,
amando tudo aquilo, não conseguia de forma alguma traduzir o termo riot grrrl , até q ue prezumi que poderia ser um termo
próprio, e fui novamente ao tal Cade, e descobri um site (hoje deve estar extinto) que explica o que era o tal movimento Riot Grrrl, e
uma coisa que nunca me esqueço desse site era o texto "Dias de fúria", uma menina falando sobre "E daí que eu faço isso, ou
aquilo" e afins, e aquilo tudo me completava tanto, e comecei a me identificar cada vez mais! E descobri que precisava aprender a
tocar guitarra, precisava montar uma banda, fazer um zine, pixar umas camisetas, fazer simbolos de anarco feminismo na perna, e
tudo mais. Com o segundo cd das DMTX, a paixão aumentou, eu pintei camisetas, mandei fazer um anel gravado as iniciais da
banda, ouvia 28 horas por dia, e me lembro de cenas andando no shopping com a Julia e a Paloma gritando as letras de
'Homophobia on a tray', usando bermudões, maria-chiquinhas, correntes e all star vermelhos....
Meu sonho era ser igual a Elisa Gargiulo, ter uma banda de meninas, falar sobre feminismo pra muitas, ver todas elas unidas pela
mesma causa, era estar perto de toda aquela cena que acontecia no Hangar 110, era ver a Elisa de perto, estar em um show das
Dominatrix e entrar em uma roda e gritar até perder os sentidos e a voz...
Bem, domingo, em Piracicaba no festival da força feminista. Logo que a data foi fechada a Pam (presidente da força) me avisou que
dominatrix estaria aqui pertinhu! E que a Elisa ainda por cima daria um workshop sobre feminismo, ainda teria The Dealers, Santa
Claus, e um onibus de 50 meninas de SP, as mesmas meninas que frequentam o Hangar, que curtem os mesmos sons, que fazem
parte da força feminista.
Domingo, reuni meu material sobre o festival, fiz um cartaz com uma poesia da Camila (presidente da UFI - Uniao Feminista do
Interior), selecionei poemas e 10 horas da manhã estava na porta do Benjamin esperando, eu + Lorena + Nathalia, minhas 2
aluninhas do 1º colegial. Comemos na padaria da frente, esperamos muito por ali, andamos por toda a região próxima, e em pouco
chegava o ônibus, e ver todas aquelas meninas ali era uma coisa tão surreal! Quando eu vi a Elisa, foi algo tão inexplicável! Algo
como, se imagine um cara fan, mto fan de Elvis Presley, imaginou? Imagina que além de ser fan do Elvis você já quis até ser um
cover, se vestir igual e afins, pronto? Ai, nessa condições imagine Elvis descendo de um disco voador vindo falar com vc....
Tá ai.. foi asism que eu me senti quando a Elisa veio elogiar meu trabalho, falar da minha camiseta, dizer que provavelmente estará
em Rio Claro para o festival que eu organizo.
O workshop foi muito bom (os comentários acerca das questões políticas ficam para um próximo post, ok? ;)
Mas o show delas... o show! Poutz! Exatamente a mesma sensação de ter visto Silverchair e Nightwish! Mas com o adicional de
estar quase do lado do palco, com pessoas que vc nunca viu na vida, mas que adoram parar e conversar com você como se te
conhecessem há milênios. E com a liberdade de fazer uma roda sem sair gravemente ferida, apesar de eu estar ainda um pouco
dolorida!
Não me lembro o set list certinho, mas constavam:
Knowledge
Pagan Love
Broken Glass Candy
Die die
Jack Queen
July 14th -lindaaaaaaaa!
Redial
E mais...
Resultado final: sai de lá chorando que nem uma boba! Me sentindo a mesma adolescente de 16 anos....
Foi lindo!
TOP 5 DA SEMANA
1- Columbia - 'Marcela e Fernanda'
2- Polar - 'Sombras por aqui'
3- The Smiths - 'I'm so sorry'
4- Litro - 'I agree'
5- The Ugly - 'Secrets'
A trilha sonora perfeita
Outro dia visitando sites de busca, (lê-se: visitando o Google) procurando algo pras minhas aulas sobre terrorismo, acabei encontrando uma coisa muito inusitada, aliás, completamente inusitada. Vi a manchete de um texto, não me pergunte em qual site, mas era algo semelhante a: 'Pesquisas informam, adolescentes que dirigem ouvindo techno ou sons agressivos têm muito mais tendência a acidentes do que pessoas que dirigem ouvindo indie ou músicas clássicas'.
Poderia ter passado em branco se não fosse a palavra ¿indie¿, que claro, chamou muito a minha atenção. Não tive tempo de ler o restante da matéria, mas essa informação, muito útil para o futuro da humanidade, me deixou pensando o resto do dia...O que me levou a dirigir pensando nisso, o que por outro lado me levou a considerar a forma como dirijo quando estou ouvindo cada estilo de som. Vejamos, curiosamente nesse mesmo dia a única fita (é eu só escuto fita k7 no carro mesmo, e daí?) que tinha era uma gravação do Nightwish e algumas músicas do Stratovarius e do Rhapsody, músicas agressivas certo? Então, reparei que a velocidade do carro não saiu do 60km/h (pra cidade que eu moro 60 é quase estar em uma rodovia a 120km/h!), e que havia mais vontade ainda de acompanhar o ritmo da música com a velocidade do carro. Fato comprovado: músicas agressivas podem incitar acidentes de trânsito.
Outro dia, resolvi pegar uma fita indie e testar a filosofia da manchete do tal site, gravei umas musiquinhas do Violins, Grape Storms, Elliot Smith, Coldplay, e sai por ai sorridente gritando as letrinhas das músicas, toda feliz que só, e com uma vontade de andar beeem de vagarinho pra que desse tempo de ouvir a fita inteira antes de chegar em casa e ter que desligar o som. Resultado comprovado 2, músicas calmas e INDIE podem evitar acidentes de trânsito.
Para definitivamente comprovar a tal pesquisa, um dia desses sem fitas pra ouvir, liguei a rádio e o maldito ¿putz putz¿ tocava solto, aquela batida repetitiva, mulherezinhas gemendo, falta de letra e a repetição exagerada, me fizeram sentir uma vontade incontrolável de aumentar a velocidade e trocar a rua pela calçada, e sair por ai brincando de Carmagedon (alguém lembra disso?), era algo interior e extremamente dominante, talvez uma catarse! Uma vontade que vinha de matar a pessoa que criou aquele tipo música, exteriorizada numa vontade de matar todos que apareciam pela frente, ou seja, pela calçada, pela rua e afins.
Comprovado: Se não quer morrer ou matar pessoas, escute Indie! ;)
Pra ouvir no carro:
- Violins, banda de Goiânia, 3 álbuns lançados, lindas melodias, bela voz e letras maravilhosas.
- Grape Storms, extinta banda Goiana, hoje alguns integrantes formam o Spherya, só uma fita K7 lançada em inglês há 10 anos atrás.
- Elliot Smith, o carinha toca violão, canta como se fosse uma canção de ninar, dá vontade de ouvir o dia todo, não cansa nunca.
- Gram, banda do meu primo (ponto). Temos q fazer média também né.
- Me indica mais algum?
Glossário
- O que é indie?
De acordo com o Tranzine : Indie ¿ Do inglês independent. Diz-se de bandas independentes, aquelas que se viram sozinhas, sem ajudas de grandes gravadoras. É um termo frequentemente associado a bandas americanas e inglesas que fazem um som muitas vezes enjoadinho de doer...
(definiçao horrorosa!) Eu naum acho enjoadinhu! e eu gosto mto! O_o hmpf...
Síndrome de novela das 8
Não que eu já tenha assistido a novela das 8 alguma vez, até porque meu tempo não é tão disponível quanto se parece. Mas como nesses últimos dias o único assunto que se tem discutido pelos quatro cantos da faculdade, do serviço, até na fila do supermercado me restou entrar nessa onda e tentar descobrir com quem a Sol vai ficar, ou o que aconteceu com a Creusa (eu? NÃO!). E se for pensar, ver o que a novela provoca é um ótimo termômetro para se medir o impacto da mídia na vida das pessoas, e como é fácil manipular as atenções e fazer uma historinha se tornar mais importante que a própria vida da pessoa, tornar uma atriz ícone maior que o próprio presidente da República, oh yeah!
Porém, falar da influência da mídia na vida das pessoas não era a intenção primeira deste texto, não não. A intenção era fazer um paralelo entre duas vidas, ou seja, a minha vida e a da menininha da novela das 8. Não! Não com a Creusa! Antes que qualquer pessoa se manifeste! Hmpf...
Eu lembrei daquela cena em que a Sol foi pega dentro do painel de um carro tentando passar a fronteira, e segurando na mão aquele negocinho que o Macaulay Culkin tinha no Esqueceram de mim 2, sabe? Pois é, pensei nessa cena e até pude me ver.. NÃO indo pros EUA, porque nunca que eu me mataria desse jeito querer ir pra um país tão pedante quanto os EUA... mas eu me vi assim mais ou menos... segurando um cdzinho do Violins na mão e sonhando com o dia que vou estar em Goiânia! Como se fosse até sonho de criança, aquela coisa que você espera para a resolução de todos os seus problemas.
Parece até loucura, mas sei lá...acho que bem a idéia de idealizar algo e achar que nos EUA eu vou encontrar dinheiro, e vida fácil... bom, eu, em Goiânia espero encontrar Violins e bandas fáceis! Ou algo que o valha! Ehehe.. Enfim, ultimamente estou muito encanada com isso, como diria Machado de Assis ¿pendurou-se-me uma idéia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, e das cabriolas de contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.¿ Essas idéias...